10.28.2017

Introspectiva ❤️

Por motivos vários, cada vez mais me avalio, e avalio aqueles que tenho na minha vida. Sempre gostei de avaliar, e de ser avaliada, porque isso gera segurança - e consequentemente, menos falhas. 

Acho que acima de tudo, este ano me trouxe conhecimento interior. 




Dizem que crescemos não só com os anos - mas fundamentalmente com os danos. E cada vez mais tenho esta pequena frase como uma máxima na minha vida.

Dantes morria por dentro com a desilusão, as mágoas, e as perdas. Agora sinto que fico apenas fria. E olhem que é difícil, porque a par disso (que isto agora ando numa de introspectiva) noto cada vez mais em mim uma pessoa optimista: o dia pode estar a correr mal, posso ter todos os motivos para estar triste, magoada ou zangada, ou ser apenas um dia mau no geral, mas tenho encarado todos os dias com um sorriso na cara, daqueles que chegam aos olhos! Com uma força interior que não sabia que tinha. E com fé, muita fé. Porque sinto-me melhor assim, não sentido raiva nem magoa, mas sim, transformando isso em dias bons. Em criar um bom ambiente de trabalho por exemplo, em fazer os outros felizes, pequenas coisas - grandes detalhes. Porque tudo corre melhor, quando NÓS SOMOS MELHORES.

Sabem, a princípio assustei-me um pouco com esta minha frieza interior para com a adversidade. Mas depois pensei (não foi assim tão rápido, já lá vão meses): então mas ando eu a dar o melhor de mim, a ser o melhor que conseguido, o possível, o impossível, SEMPRE... para depois lidar com meias coisas? 

Eu sou de facto uma pessoa de oito ou oitenta. Amo com todo o meu coração e ser; ou não gosto, exactamente da mesma forma. Mas  ambos os sentimentos têm de ser motivados.

Eu sempre gostei de ser uma pessoa boa - muito longe de ser perfeita - mas sempre gostei de fazer o bem, e de ver os outros felizes, nunca me lembro de não ser assim. 

Mas neste momento, com os danos anos, fiquei mais exigente. Sim, talvez seja isso mesmo. Fiquei exigente de carácter, sentimentos e verdades. 

Eu quando gosto - gosto muito - e consequentemente, sou boa até de mais (para o meu próprio bem). Faço o que posso, o que não posso. Ajudo, apoio, estou lá - incondicionalmente, e sempre! - sem julgar. Digo as verdades, sou muito pouco de mãos nas costas e paninhos quentes. Mas tenho um coração mole, e isso não é uma qualidade. É um defeito gigante. Afeiçoo-me às pessoas de mais. E a verdade - nua, dura e crua - é que nem toda a gente merece o melhor de nós. 

Daí que, cada vez mais me note exigente. Se eu sei a pessoa que sou, e que sempre fui, quem está comigo não tem de ser perfeito, mas tem de ser verdadeiro. Eu aceito todos os erros, todas as falhas, absolutamente tudo. Eu própria tenho falhas, cometo erros. Mas a lealdade e a autenticidade para mim, são tudo. 

E esse é um facto de que tomei conhecimento de mim própria há bem pouco tempo. 

Eu dou tudo de mim, sou leal até aos ossos (e olhem que tenho os ossos pesados!), sou verdadeira, porque não sei ser de outra forma. Cometo erros, muitos! Caio sete vezes e levanto-me oito. Mas sabem que mais? 

Havia um outro eu, que de certa forma ainda cá está (mas muito escassamente) que de quando em vez era bastante rancoroso. Agora? Só quero que as pessoas que me querem mal, que me fazem mal, sejam felizes. E acreditem, isto é de coração. 

Já me afastei de pessoas apenas porque achava que já não tínhamos nada de bom a dar uma à outra, mas fico feliz com as suas vitórias, fico feliz em vê-la feliz, e acima de tudo: quero o seu bem. Pode não ter feito escolhas da melhor forma, e não me arrependo da forma sincera e transparente como lidei com o assunto, porque eu sou assim. Mas longe ou não, quero que essa pessoa seja feliz.

Agora o que eu não posso, de todo, tolerar são meias verdades. Meias pessoas. Ilusões. Como disse já algures neste longo texto que vos escrevo, só exijo duas coisas - obviamente, não a todos, mas aqueles a quem dou tudo de mim - que sejam leais e verdadeiros. Só isso. 

Ter a certeza que essas poucas pessoas sempre me defenderão nas minhas costas. E me criticarão na minha frente. Que com ou sem motivos, nunca falem mal de mim. Ou se o fizerem que seja a mim mesma. Porque eu estou aqui, sempre pronta a dar cara, para o bem e para o mal. E os verdadeiros amigos choram, gritam e riem juntos. Não nas costas. A falta de lealdade é para mim dilacerante. Mas a mentira... a mentira mata tudo o que havia de bom a recordar. 

Gostava de entender tanta coisa.

É que quando nos fazem mal... ok. Pelo menos temos motivos. Mas quando a pessoa só nos faz bem. Quando a pessoa é das escassas pessoas que gostam de ti de verdade, aí, fica confuso. Mas enfim, a vida é mesmo assim.

O mais importante? Dormirmos bem connosco próprios, de consciência limpa e coração calmo. O resto? O que não nos mata deixa-nos, sem qualquer dúvida, mais fortes. 

Que fique quem quer. Quem gosta. Quem se importa. E quem realmente importa. ❤️

(A propósito da foto que compõe este texto: tenho um imenso orgulho no meu carácter.)

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