11.25.2015

A insustentável leveza da amizade



A insustentável leveza da amizade 

Ou será do ser? Ser ou não ser?

O texto de hoje é retrospectivo, pensativo, avaliador, e baseado numa inércia de pensamentos que teimam em não esvaziar a mente. Penso que todos nós, algures por essa vida fora, temos um outro assunto mal resolvido, ou mal tratado pelo destino, dependendo de como o queiram tratar. Há algures um (des)amor entre vós - todos nós suponho - seja lá que tipo de (des)amor for. Vale tudo, neste intervalo que é a vida. 

Neste tempo de espera - que para uns pode significar a eternidade e para outros, dias, semanas, meses ou até mesmo anos (na grande maioria dos casos), ver estes desamores resolvidos é um género de sonho. Um sonho bom, mas que nos traz muitos sentimentos e pensamentos à margem: a incerteza, o talvez, o "como é que será", o "e agora?", e o gritante "porquê". Mas o pior (ou melhor) - já estão a perceber o prefácio da "insustentável leveza da amizade"? - é quando o impossível acontece. Quando as respostas são vos quase todas dadas. Quando dás por ti e o tempo e a vida te mudaram. E a pergunta mais temível agora será: "E agora?" O depois é uma porra. É um mar de perguntas sem resposta, que só a banal normalidade do "só o tempo o dirá" te conseguirá responder. 

Eu tinha um (des)amor. E o impossível aconteceu. Vamos agora para o depois. A porra do depois. Mas sabem que mais? Estou feliz. Estou muito, e verdadeiramente feliz. E não tenho medo de o dizer. Se cresci com tudo o que se passou? Cresci. Não com os anos, mas sobretudo com os danos. E sei que estou mais forte. Podemos até chegar à conclusão que nada será como dantes - pois hoje somos outras pessoas, e infelizmente isso talvez seja difícil - posso até quebrar a cara outra vez. Mas sabem que mais? Tive o porquê. Tive a felicidade de por momentos, voltarmos atrás no tempo. Sei que fiz a coisa certa. E sim, finalmente sinto que não tenho nenhum assunto mal resolvido. E isso é bom, acima de tudo, sentirmo-nos resolvidos. E se há coisa que não gosto, nem deixo, desde que assim seja possível obviamente, é que alguém decida as minhas amizades, as minhas escolhas, ou o meu futuro, por mim. 

No entanto, continuo a amar desalmadamente. E a desapaixonar-me exactamente da mesma forma. 

Quando amo, amo muito. Tanto, mas tanto! Hoje, nomeadamente hoje, percebi finalmente, que amar - assim tanto - é um defeito. Um enorme defeito. 

Porque quando amas assim tanto, dás-te por completo, corpo e alma sem pedir um porquê. Eu pelo menos sou assim. A porra de um defeito. Se a pessoa é assim tão importante para mim, eu chego a gostar tanto que dói. E quando dói, dói pra caraças. 

Sabem porquê? Devido, talvez, a outro dos meus grandes defeitos, e infelizmente é causa-efeito do anterior: quando gosto - gostar de verdade - faço TUDO pela pessoa. Seja lá ela quem for. Sou tudo, dou tudo, amo tudo, tudo de bom que possa ter nesta bipolaridade de ser, eu dou. Mas, e talvez pela insustentável leveza de amar, quando preciso, ou quando as situações assim o pedem, espero que estejam lá, INTEGRALMENTE como eu. Depois há as palavras ditas, que podem ser perdoadas eventualmente, mas não esquecidas. E eu sou pessoa que liga - demasiado até - às palavras. 

Surpresas da vida que descobri ao fim dos escassos 24 anos de vida? 

Meus amores, ninguém vai estar lá para vocês como vocês estão. Ninguém vai fazer por vocês o que vocês fazem. Ninguém vos vai defender com unhas e dentes, como vocês o fizeram, fazem e farão. Ninguém estará indubitavelmente - sempre - do vosso lado. Como vocês estão. Porque as pessoas são assim. Não sou melhor nem pior que ninguém, mas sei que quanto àqueles que amo, os restantes que me perdoem mas sou a melhor pessoa que poderiam ter a amar-vos. Porque isto da verdade, da integridade, dos "para sempre" e da sinceridade, já passou de moda. E eu, apesar de adorar moda, no geral, sou muito velha-guarda nestas coisas dos sentimentos, e do ser. 

Mas como li algures, há uns tempos, por aí: toda a gente sobrevive. Sobrevive e ponto final. Se uma mãe sobrevive à morte de um filho - que suponho ser a pior e mais cruel das dores - não haveremos nós de ultrapassar a desilusão? Ultrapassamos pois. Nós somos fortes. Ninguém vos pede que sejam de ferro - isto é também um pouco de mim para vós, ou vice-versa - é claro que vão quebrar. Quebrem! Já chega de pessoas frias e egoístas, quebrar também é bonito. Pena não ser moda. 

Apenas precisava de desabafar. E a melhor forma que encontro é sempre a das palavras. Algumas vêm parar aqui, outras nem por isso. Não podemos quebrar sempre em frente a todos, sabiam? Temos de nos resguardar. Porque ninguém vai fazê-lo por nós. 

Infelizmente a moda dos "coitadinhos", que repelo amargamente, ainda pega. Mas não se deixem levar por isso. 

Sejam sempre vós próprios. Só façam como eu, a partir de agora, (se conseguirem) tentem não amar demasiado. Porque raramente alguém vos vai amar nessa medida. Metam o coração ao largo. Não sintam tudo pelos outros, como se fossem as vossas próprias dores. Não achem que ninguém é insubstituível. Nem mesmo vocês próprios. Porque também, não o são. Mesmo que vos digam que são, à mínima adversidade - lá voltamos nós à teoria dos coitadinhos - esquecem tudo o de bom que vocês foram, que vocês são; que vocês fizeram, que vocês fazem. Porque num presente imediato é dos coitadinhos que reza a história. No fim, bem lá no fim, aí sim é de vocês que se lembrarão - os fortes. Às vezes até vos podem dizer palavras bonitas, e fazer com que acreditem e se sintam verdadeiramente importantes, mas na hora da verdade, meus amigos? Ah, na hora da verdade. Todo um mar de outras escolhas. E a vida, inevitavelmente é feita delas.

Ser verdadeiro é uma dávida. Usem e abusem dela. 

E como me disseram esta semana: yolo! 


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